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11/09/2008
Autoridades internacionais conhecem estratégias para a Bahia desenvolver com sustentabilidade

 

Potencialidades da Bahia, como agricultura e mineração, que estão permitindo a inserção do Estado nos mercados nacional e global, foram apresentadas hoje (11) pelo secretário do Planejamento, Ronald Lobato, no seminário Strategy Execution Summit. Iniciado ontem, o evento, que é considerado um dos mais importantes em Gestão Estratégica na América Latina, reúne autoridades governamentais e executivos internacionais até amanhã, em Sauípe.

Para abordar o tema Mapa Estratégico da Bahia como Instrumento para o Desenvolvimento Integrado, o secretário fez uma análise dos cenários nacional e internacional, concluindo que o Brasil e a Bahia, por suas potencialidades, podem ter uma participação mais significativa nos mercados, com oferta de commodities. Ele deu exemplo de quedas recentes dos preços do petróleo e da soja, nos Estados Unidos, em função das produções brasileiras, e disse que, entre outras, a Bahia tem potencialidades agrícola, fronteiras de expansão, condições edafoclimáticas, na mineração, serviços com alto valor agregado, segmentos industriais pré-existentes.

Entre as estratégias para superar deficiências logísticas e de infra-estrutura, obstáculos para o crescimento do estado, o plano estratégico da Bahia inclui a ferrovia Oeste-Leste, os sistemas Carinhanha, RMS, Porto Sul, Oeste e o Sistema Juazeiro-Petrolina. “Isso, porque, não adianta ter uma lista de projetos, mas um conjunto de projetos articulados, com sinergia entre eles, para refletirem resultados significativos”, afirmou, explicando que, também por esta lógica, o governo baiano visa à articulação da agricultura familiar com o agronegócio, segmentos historicamente antagonizados.

Estratégia

O secretário apresentou os macro-objetivos voltados para o desenvolvimento sustentável do Estado, bem como as diretrizes estratégicas socioeconômicas e de princípio de gestão (transparência, ética, controle social, participação, territorialidade), que serão perseguidos para atingir a visão de futuro de um estado cuja população desfrute de qualidade de vida, maior participação nos resultados econômicos, com equilíbrio social e étnico, integrado nacional e internacionalmente.

O secretário foi um dos palestrantes do painel Iniciativas Públicas Empreendedoras, que teve ainda, a participação do diretor executivo da Agenda 2020 RS, Ronald Krummenauer, dos mediadores Humberto Martins (professor do Instituto Publix), e de Rogério Caiuby, diretor da Symnetics. Krummenauer apresentou a Agenda 2020 RS, documento resultante de uma iniciativa da sociedade civil organizada, que desenvolveu uma agenda estratégica para o estado do Rio Grande do Sul e a entregou aos candidatos durante o processo eleitoral.

Segundo Krummenauer, a Agenda 2020 partiu de uma mudança de cultura e da percepção de que a sociedade também precisa tomar para si a responsabilidade de mudar o estado. “A crise é muito profunda para ser resolvida somente pelo poder público”, afirmou, explicando que a idéia básica foi construir uma pauta comum mínima, com sinergia e convergência, tendo a sociedade gaúcha como protagonista. A metodologia utilizada incluiu a consulta e mobilização da sociedade, tendo como marco a reunião de 900 pessoas em março de 2006 para definir a seguinte visão de futuro: Até 2020, seremos o melhor estado para se viver e trabalhar. Todas as informações encontram-se no site www.agenda2020.org.br.

Iniciativas Públicas

O painel ‘Iniciativas Públicas’ foi pensado em função da ansiedade generalizada em torno da necessidade de se realizar um verdadeiro “choque de gestão” no setor público brasileiro. O debate gira em torno do desafio de se definir uma agenda estratégica que retrate, de forma fidedigna, as prioridades da sociedade, e de se conseguir implementar um processo de acompanhamento e de gestão, de forma a aumentar a eficácia dos investimentos públicos. Na Bahia, para atingir tal eficácia o governo do Estado incorporou contribuições da sociedade civil no Plano Plurianual (PPA 2008-2011), democratizando o processo de construção do documento.

Participam do Summit, até amanhã, cerca de 300 pessoas, entre autoridades, empresários, executivos de empresas de renome. Entre os destaques mundiais, Omar Shroof, representante do governo de Dubai, que apresentou a palestra O Planejamento de Dubai, envolvendo o governo, secretarias e agências, e Carl Dahlman, executivo do Banco Mundial (Bird), que discorreu sobre o Modelo da Hélice-Tripla: um comparativo entre os países do bloco BRIC, formado pelo Brasil, Rússia, Índia e China.

Estratégia e governança social

Iniciativas inovadoras na esfera pública foi o enfoque da abertura feita por Humberto Martins (Publix), que sugeriu uma reflexão dos motivos pelos quais a estratégia no setor público é tão importante. Segundo ele, para responder às demandas do contexto do estado contemporâneo e atender a questões globais emergentes como clima, segurança, saúde, mercados. “Um estado forte, para radicalizar a democracia, deve considerar os conceitos de inclusão, participação e transparência. Para isso, é preciso superar as reformas de primeira geração, saltando do ajuste fiscal para a ênfase no desenvolvimento, o que leva a uma nova onda da administração pelo desenvolvimento”, explicou.

Em sua sexta edição, o seminário tem como tema central “Brasil: a hora e a vez da inovação e do crescimento econômico”. O Summit é realizado desde 2003, reunindo personalidades do universo de gestão da estratégia e inovação. Este ano, o evento é composto por 23 palestras a serem ministradas por executivos da própria Symnetics, além de formadores de opinião e autoridades internacionais e locais, entre eles, José Gomes Temporão, ministro da Saúde, e representantes da indústria, órgãos públicos, associações e bancos.

Autor de obras consagradas como ‘O Auto da Compadecida’ e ‘O Santo e a Porca’, o renomado escritor Ariano Suassuna fará a palestra de encerramento do evento. Suassuna abordará o tema Resgatando o alicerce cultural de uma nação, dando um toque especial ao seminário com seu olhar e percepção singulares da natureza humana.

 

 
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